Scoop – O Grande Furo

Segundo filme da fase londrina do cineasta americano tem várias de suas marcas manjadas, mas diverte ao narrar investigação comandada pelo "além"
Por André Azenha, editor (09/02/2009) // Comente

Scoop – O Grande Furo (Scoop, EUA / Inglaterra, 2006). Direção e roteiro: Woody Allen. Elenco: Hugh Jackman, Scarlett Johansson, Woody Allen, Ian McShane, Romola Garai. Comédia. 96 min. (Cor).

Um mistério de assassinato na aristocracia britânica, choque de classes, locação londrina e direção de Woody Allen. Pensou em “Match Point”? Pense de novo.“Scoop-O Grande Furo”, segundo filme inglês de Allen, apesar das semelhanças com o drama que marcou seu “renascimento”, é uma comédia “à moda antiga”  do diretor. O filme conectou sua fase inglesa com antigas marcas do cineasta, que voltou a aparecer diante das câmeras para interpretar seu eterno papel de neurótico.

Repetindo a musa Scarlett Johansson, de “Match Point”, “Scoop” acompanha uma estudante de jornalismo (Scarlett) em visita à capital inglesa, que recebe do além as pistas para um grande “furo” de reportagem.

Tudo acontece quando ela comparece ao show de um mágico (Allen), onde participa de um truque de desmaterialização, interrompido pelo espírito de um repórter recém falecido (Ian McSane).O fantasma lhe pede que investigue uma série de assassinatos e diz que o criminoso é um conhecido aristocrata inglês (Hugh Jackman). A estudante é fisgada pelo mistério, vendo uma chance de alavancar sua carreira com uma reportagem exclusiva. Mas não é exatamente uma profissional e acaba se apaixonando pelo suspeito dos crimes.

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Por coincidência, Scarlett e Jackman já haviam atuado juntos em outro filme sobre mistério e mágica, “O Grande Truque”, e provaram que são versáteis, interpretando seu reencontro nas telas de forma bastante distinta da forma como atuaram no longa de Christopher Nolan.

Os diálogos e a trama enxuta fazem de “Scoop” um longa agradável e divertido. Com roteiro simples, retornaram as velhas piadas sobre judeus, as cutucadas inteligentes na aristocracia inglesa e gags conhecidas a impagável caricaturização da morte, vista em “A Última Noite de Boris Grushenko”, de 1975). É Woody Allen em estado natural e boa forma.

Pra ter uma idéia do prestígio do cineasta com a classe artística (exceção de alguns burocratas de Hollywood), a comédia custou “apenas” US$ 4 milhões. Ou seja, Allen ainda consegue reunir estrelas, que abrem mão de grandes cachês só para trabalhar com ele. Apesar de não ter causado a mesma receptividade positiva do filme anterior do diretor na imprensa, o importante é constatar que, mesmo realizando “mais do mesmo”, Allen “repete” a proeza de jamais enjoar seu público.

Nota do Editor: Quem faz a irmã de Scarlett é Romola Garai, que interpreta a Briony adolescente em “Desejo e Reparação”.

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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