Scoop – O Grande Furo

Scoop – O Grande Furo (Scoop, EUA / Inglaterra, 2006). Direção e roteiro: Woody Allen. Elenco: Hugh Jackman, Scarlett Johansson, Woody Allen, Ian McShane, Romola Garai. Comédia. 96 min. (Cor).

Um mistério de assassinato na aristocracia britânica, choque de classes, locação londrina e direção de Woody Allen. Pensou em “Match Point”? Pense de novo.“Scoop-O Grande Furo”, segundo filme inglês de Allen, apesar das semelhanças com o drama que marcou seu “renascimento”, é uma comédia “à moda antiga”  do diretor. O filme conectou sua fase inglesa com antigas marcas do cineasta, que voltou a aparecer diante das câmeras para interpretar seu eterno papel de neurótico.

Repetindo a musa Scarlett Johansson, de “Match Point”, “Scoop” acompanha uma estudante de jornalismo (Scarlett) em visita à capital inglesa, que recebe do além as pistas para um grande “furo” de reportagem.

Tudo acontece quando ela comparece ao show de um mágico (Allen), onde participa de um truque de desmaterialização, interrompido pelo espírito de um repórter recém falecido (Ian McSane).O fantasma lhe pede que investigue uma série de assassinatos e diz que o criminoso é um conhecido aristocrata inglês (Hugh Jackman). A estudante é fisgada pelo mistério, vendo uma chance de alavancar sua carreira com uma reportagem exclusiva. Mas não é exatamente uma profissional e acaba se apaixonando pelo suspeito dos crimes.

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Por coincidência, Scarlett e Jackman já haviam atuado juntos em outro filme sobre mistério e mágica, “O Grande Truque”, e provaram que são versáteis, interpretando seu reencontro nas telas de forma bastante distinta da forma como atuaram no longa de Christopher Nolan.

Os diálogos e a trama enxuta fazem de “Scoop” um longa agradável e divertido. Com roteiro simples, retornaram as velhas piadas sobre judeus, as cutucadas inteligentes na aristocracia inglesa e gags conhecidas a impagável caricaturização da morte, vista em “A Última Noite de Boris Grushenko”, de 1975). É Woody Allen em estado natural e boa forma.

Pra ter uma idéia do prestígio do cineasta com a classe artística (exceção de alguns burocratas de Hollywood), a comédia custou “apenas” US$ 4 milhões. Ou seja, Allen ainda consegue reunir estrelas, que abrem mão de grandes cachês só para trabalhar com ele. Apesar de não ter causado a mesma receptividade positiva do filme anterior do diretor na imprensa, o importante é constatar que, mesmo realizando “mais do mesmo”, Allen “repete” a proeza de jamais enjoar seu público.

Nota do Editor: Quem faz a irmã de Scarlett é Romola Garai, que interpreta a Briony adolescente em “Desejo e Reparação”.

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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