Um Lugar Para Recomeçar
Por: André Azenha
Um Lugar Para Recomeçar (An Unfinished Life, EUA, 2008). Direção: Lasse Hallström. Roteiro: Mark Spragg e Virginia Korus Spragg. Elenco: Robert Redford, Morgan Freeman, Jennifer Lopez, Josh Lucas, Becca Gardner. Drama. 107 min. (Cor).
7,5
”Um Lugar Para Recomeçar” se passa em um rancho, tem dois homens vivendo nele, possui belas paisagens e trata de relações humanas. Algo que lembre “O Segredo de Brokeback Mountain”? Pois é, na onda do sucesso do longa de Ang Lee, esse filme, dirigido por Lasse Hallström, teria tudo para descambar para o lado brega-sentimental e apenas soar como um filminho inspirado no sensível romance homossexual injustamente derrotado no Oscar. Mas isso não aconteceu. A obra tem lá seus instantes de melodrama, mas é bem divertida e desce redondinha no fim das contas.
Aqui, Einer Gilkyson (Robert Redford) e Mitch Bradley (Morgan Freeman) são amigos há mais de 40 anos, que vivem em um rancho na cidadezinha Wyoming. Einer, sujeito até um pouco rancoroso, costuma cuidar do amigo, que teve parte do corpo comprometida devido ao ataque de um urso; e vive do passado, sofrendo com as lembranças do filho, morto em um acidente de carro. Mas tudo muda quando Jean Gilkyson (Jennifer Lopez), sua ex-nora, aparece depois de anos com sua filha de onze anos, Giff (Becca Gardner). O motivo do retorno de Jean à cidade é a violência de seu namorado. De início, a personagem de Redford reluta em mantê-las no rancho, pois culpa Jean pela morte do filho. Mas com o tempo acaba cedendo aos encantos de sua neta, até então desconhecida.
A partir daí, a trama se desenrola em situações de perdão, revisões e redenções. Há cenas clichês, mas que devido à competência e ao charme dos atores, acabam por ganhar a simpatia do público. Lopez está bonita como de costume e até tem boa atuação. Aliás, sabiamente seu corpo escultural não é o mote de sua participação, fazendo com que ela tente chamar a atenção mais pela sua interpretação do que pelo físico. Robert Redford, em grande performance, aparece envelhecido, com a face marcada pelo tempo e faz de seu papel algo real; um sujeito quase vencido pela vida que praticamente abdicou dos sonhos e vive do passado. Já Morgan Freeman mais uma vez é o sábio da turma; aquele que teria tudo para reclamar da vida, mas que não o faz e ainda consegue dar risadas dos problemas. E a grande surpresa fica por conta da jovem Becca Gardner, que diferente dos outros artistas mirins, não precisou de caras e bocas para interpretar a menina que passa a ser o centro da redenção dos que estão à sua volta. Carismática, ela encontra grande química com Redford, na relação de avô e neta. Aliás, o momento mais engraçado é quando Giff acha que Einer e Mitch são homossexuais e diz que todos precisam de amor.

E a história (que teve orçamento de U$ 30 milhões e uma renda que mal passou dos U$ 8 milhões) segue com as aparições do urso (cujo nome real é Bart e é conhecido dos americanos) que atacou Mitch, e do ex-namorado que batia em Jean, na cidade; as discussões que tentam resolver os problemas do passado, o xerife que se envolve com a mocinha e até brigas de bar. Tudo bem feitinho, emocionando e divertindo.
O filme serve como um ótimo passatempo; não chega a ser uma obra-prima, mas pode ser visto sem problemas. E muitas serão as pessoas que poderão enxergar a si mesmas ou a parentes e amigos nos lugares dos papéis principais.
