O Labirinto do Fauno

Por: André Azenha

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O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno, México / Espanha / EUA, 2006). Direção e roteiro: Guillermo del Toro. Elenco: Sergi López, Federico Luppi, Maribel Verdú. Fantasia / Suspense. 112 min. (Cor).

8,5

“O Labirinto do Fauno” é o apogeu da dedicação do cineasta mexicano Guilhermo Del Toro (de “Hellboy”) ao gênero fantástico, transformada em poesia. Assim como no excelente terror “A Espinha do Diabo” (2001), o diretor utilizou crianças e elementos de fábulas para falar da Guerra Civil Espanhola, forjando quase uma continuação do filme anterior.

A trama se passa em 1944. A Guerra Civil oficialmente acabou, mas, ao norte de Navarra, um grupo de rebeldes continua a lutar. Ofélia (Ivana Baquero), 10 anos, muda-se com a mãe (Ariadna Gil) para a região, buscando encontrar o padrasto, o Capitão Vidal (Sergi Lopez, de “Coisas Belas e Sujas”, 2002, encarnando um sádico). Ele é um oficial fascista determinado a exterminar os guerrilheiros locais.

A menina acaba fazendo amizade com a cozinheira da casa, Mercedes (Maribel Verdú), espécie de contato secreto dos rebeldes. Mas seu maior passatempo é passear pelo jardim da imensa mansão, onde descobre um labirinto, que a leva a um mundo de fantasias, influenciando a vida de todos à sua volta.

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Fotografado de modo espetacular por Guillermo Navarro, o longa apresenta um universo triste e sombrio, porém encantador. E repete o apuro visual de “Hellboy” (obra de orçamentos 13 vezes maior) com a intensificação das imagens em cores fortes e tonalidades cinzentas. Assim como Peter Jackson (diretor de “O Senhor dos Anéis”), Del Toro é daqueles fãs dos efeitos especiais à moda antiga, utilizando maquiagem (para que Doug Jones fosse caracterizado como o “Homem Pálido” eram necessárias 5 horas de preparação por dia) e próteses de borracha.

A obra surpreende pelo fato de ser esteticamente ousada e ter custado U$ 5 milhões, valor irrisório para Hollywood. O belo resultado técnico foi comprovado com as três premiações no Oscar, em Direção de Arte, Fotografia e Maquiagem. “O Labirinto do Fauno” também foi indicado nas categorias Filme Estrangeiro,Roteiro Original e Trilha Sonora (de Javier Navarrete) e ganhou prêmios em vários festivais pelo mundo. Uma fábula bonita que merece ser descoberta pelo grande público.

André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

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