Filhos da Esperança

Drama apocalíptico do mexicano Alfonso Cuarón tem ritmo eletrizante, elenco espetacular e é um dos grandes filmes da década
Por André Azenha, editor (08/02/2009) // Comente

Filhos da Esperança (Children of Men, EUA, Inglaterra, 2006). Direção: Alfonso Cuarón. Roteiro: Alfonso Cuarón e Timothy J. Sexton, baseado em livro de P.D. James. Elenco: Clive Owen, Julianne Moore, Michael Caine, Claire-Hope Ashitey, Chiwetel Ejiofor. Ficção científica / Drama / Ação. 109 min. (Cor).

“Filhos da Esperança” completou a trinca de ótimos filmes de cineastas mexicanos em 2006 – os outros foram “Babel” e “O Labirinto do Fauno” (respectivamente de Alejandro González-Iñárritu e Guillermo del Toro. E nessa produção, o que poderia ser “apenas” mais uma previsão sombria sobre o fim do mundo, se tornou uma verdadeira aula de narrativa e técnica, além de um excelente filme de ação, nas mãos de Alfonso Cuarón (“Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”).

O roteiro, co-escrito pelo próprio Cuarón, é baseado no livro de P.D.James. Passa-se em 2027, em meio a um cenário apocalíptico. As mulheres não conseguem mais engravidar, o ser humano mais jovem do mundo tem 18 anos e a Inglaterra parece ser o único país que ainda possui um governo organizado – e por isto é vista como tábua de salvação por imigrantes de toda a Europa, mergulhando o país no caos e no regime militar.

No meio desse desastre humano, Theodore Faron (Clive Owen), um ex-ativista desiludido, é procurado por sua ex-esposa Julian (Julianne Moore), integrante de um grupo clandestino, para transportar e proteger uma jovem misteriosamente grávida.

A jornada ajuda a revelar a loucura de um planeta à beira da extinção e leva o protagonista a largar tudo pela missão de proteger  a futura mãe, que pode ser a última chance de salvação da humanidade.

No ótimo elenco de coadjuvantes, Claire-Hope Ashitey faz da mãe solteira Kee, uma garota amargurada e sensível; Peter Mullan incorpora o militar Syd com humor, escondendo um lado ameaçador; Julianne Moore (“Ensaio Sobre a Cegueira” e “Pecados Inocentes“) se destaca no pouco tempo em cena; e o veterano Michael Caine (franquia “Batman”), cabeludo, cativa interpretando o ex-cartunista político Jasper.

Mas é Clive Owen, no papel principal, que dá um show. A cena em que se afasta para chorar no meio da floresta, num momento de tensão, após uma das mais impressionantes sequências de perseguição do cinema, é prova de talento puro.

Com planos geniais de tirar o fôlego e sequências filmadas com o realismo do fotojornalismo, o filme impressiona, gruda o espectador na tela e não o solta mais. Teve três indicações ao Oscar, em Roteiro Adaptado, Fotografia e Edição. Merecia muito, muito mais. Um dos grandes filmes da década, que não fez sucesso de bilheteria, mas que deve ser descoberto.

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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