Filhos da Esperança

Filhos da Esperança (Children of Men, EUA, Inglaterra, 2006). Direção: Alfonso Cuarón. Roteiro: Alfonso Cuarón e Timothy J. Sexton, baseado em livro de P.D. James. Elenco: Clive Owen, Julianne Moore, Michael Caine, Claire-Hope Ashitey, Chiwetel Ejiofor. Ficção científica / Drama / Ação. 109 min. (Cor).

“Filhos da Esperança” completou a trinca de ótimos filmes de cineastas mexicanos em 2006 – os outros foram “Babel” e “O Labirinto do Fauno” (respectivamente de Alejandro González-Iñárritu e Guillermo del Toro. E nessa produção, o que poderia ser “apenas” mais uma previsão sombria sobre o fim do mundo, se tornou uma verdadeira aula de narrativa e técnica, além de um excelente filme de ação, nas mãos de Alfonso Cuarón (“Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”).

O roteiro, co-escrito pelo próprio Cuarón, é baseado no livro de P.D.James. Passa-se em 2027, em meio a um cenário apocalíptico. As mulheres não conseguem mais engravidar, o ser humano mais jovem do mundo tem 18 anos e a Inglaterra parece ser o único país que ainda possui um governo organizado – e por isto é vista como tábua de salvação por imigrantes de toda a Europa, mergulhando o país no caos e no regime militar.

No meio desse desastre humano, Theodore Faron (Clive Owen), um ex-ativista desiludido, é procurado por sua ex-esposa Julian (Julianne Moore), integrante de um grupo clandestino, para transportar e proteger uma jovem misteriosamente grávida.

A jornada ajuda a revelar a loucura de um planeta à beira da extinção e leva o protagonista a largar tudo pela missão de proteger  a futura mãe, que pode ser a última chance de salvação da humanidade.

No ótimo elenco de coadjuvantes, Claire-Hope Ashitey faz da mãe solteira Kee, uma garota amargurada e sensível; Peter Mullan incorpora o militar Syd com humor, escondendo um lado ameaçador; Julianne Moore (“Ensaio Sobre a Cegueira” e “Pecados Inocentes“) se destaca no pouco tempo em cena; e o veterano Michael Caine (franquia “Batman”), cabeludo, cativa interpretando o ex-cartunista político Jasper.

Mas é Clive Owen, no papel principal, que dá um show. A cena em que se afasta para chorar no meio da floresta, num momento de tensão, após uma das mais impressionantes sequências de perseguição do cinema, é prova de talento puro.

Com planos geniais de tirar o fôlego e sequências filmadas com o realismo do fotojornalismo, o filme impressiona, gruda o espectador na tela e não o solta mais. Teve três indicações ao Oscar, em Roteiro Adaptado, Fotografia e Edição. Merecia muito, muito mais. Um dos grandes filmes da década, que não fez sucesso de bilheteria, mas que deve ser descoberto.

André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

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