Dez filmes que se destacaram em 2008

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É clichê, mas é verdade. Listas são e sempre serão polêmicas. Jamais conseguirão unanimidade entre o eleitorado. Mas como este espaço é sobre cultura pop, e cultura pop sem a existência de listas como esta (já leu/assistiu “Alta Fidelidade”?) não é cultura pop, preparamos um top 10 da temporada cinematográfica do ano passado. O critério foi escolher obras lançadas no Brasil em 2008. Então não estranhe filmes como “Desejo e Reparação”, “Sangue Negro” e “Apenas Uma Vez” – produzidos antes deste ano – estarem presentes. Outras boas produções, como “Juno”, “Homem de Ferro”, “Sweeney Todd”, “Na Mira do Chefe” e “O Nevoeiro”, ficaram de fora, provando que o cinema atual não está tão ruim assim como apregoam alguns “entendidos”. Abaixo, o Top 10 do cinema 2008!

Desejo e Reparação (Atonement, 2007)
O diretor Joe Wright estreou no cinema com o ótimo Orgulho e Preconceito, um filme de época premiado protagonizado pela inglesa Keira Knightley. Para seu segundo longa, ele repetiu a parceria com a atriz e obteve um resultado superior, passando pela difícil prova de adaptar para o cinema o elogiado livro Reparação, do escritor inglês Ian McEwan. Recheado de excelentes atuações (de Vanessa Redgrave, James McAvoy, Romola Garai e a novata Saoirse Ronan, indicada para atriz coadjuvante no Oscar), tecnicamente impecável, a obra tem uma seqüência digna de figurar entre as melhores da história do cinema, possui uma trilha sonora criativa e magistral (vencedora do Oscar e do Globo de Ouro – o filme teve mais seis indicações ao prêmio da academia), ganhou o Globo de ouro de Melhor Filme/Drama e serviu para Keira se desfazer da imagem de menininha, incorporando com intensidade sua personagem.

Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008)
Batman Begins marcou o início da nova franquia do homem-morcego de forma positiva, indo numa direção completamente oposta aos longas anteriores do personagem, inserindo drama e tornando os personagens próximos da realidade. O que O Cavaleiro das Trevas fez, foi expandir as qualidades de seu antecessor, mesclando drama policial, conflitos psicológicos (influência de Fogo contra Fogo, de Michael Mann), ótimas sequências de ação, excelente elenco e uma atuação antológica do falecido Heath Ledger na pele do Coringa, fazendo o Coringa de Jack Nicholson, tão comemorado na época de Batman, de Tim Burton, parecer brincadeira de criança. Ledger venceu praticamente todos os prêmos, incluindo Oscar e Globo de Ouro. Elogiado pela crítica, levanta inúmeras questões sobre segurança e privacidade, critica com inteligência o governo americano e fez mega sucesso de bilheteria, ultrapassando a marca de US$ 1 bilhão ao redor do mundo.

Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007)
Ao contrário de Magnólia, uma trama com vários protagonistas, cujos destinos se cruzavam em determinada parte da história, com mensagem otimista, Sangue Negro é um épico de um homem só, sobre como o mal vem dominando o planeta. Com atuação espetacular de Daniel Day-Lewis (vencedor do Oscar e vários prêmios mundo afora), o filme traça paralelos com a busca desenfreada pelo poder, e mostra como tantos homens se aproveitam da credulidade (troque por ingenuidade ou burrice) humana para criarem verdadeiros impérios, sejam empresariais, políticos ou religiosos. Influenciado por Stanley Kubrick (principalmente nos quinze primeiros minutos de projeção sem diálogos, dignos dos melhores filmes do diretor de 2001 – Uma Odisséia no Espaço), o jovem cineasta Paul Thomas Anderson concebeu sua obra prima. Destaca-se ainda a trilha sonora atonal, com aura dark, de Johnny Greenwood, guitarrista do Radiohead.

Vicky Cristina Barcelona (Idem, 2008)
Em seu quarto filme na sua fase européia, o americano Woody Allen trocou a Inglaterra (onde fez Match Point, Scoop e O Sonho de Cassandra), pelas belíssimas paisagens de Barcelona, num filme bancado pela própria prefeitura da cidade, que versa sobre amores desfeitos e descobertas, conta com três lindas atrizes (destacando a espanhola Penelope Cruz, incendiária) e o carismático Javier Barden. E diferente do clichê tão repetido por especialistas de plantão, Allen não recuperou sua forma. Na verdade, ele jamais a perdeu. O longa teve quatro indicações ao Globo de Ouro (incluindo Filme Comédia/Musical) e vem rendendo à Penelope Cruz prêmios em vários países.

Apenas Uma Vez (Once, 2006)
Uma das sensações da temporada  foi o filme independente feito com orçamento irrisório pelos membros da banda irlandesa The Frames, que alcançou fama em festivais pelo mundo e levou o Oscar de Canção Original (“Falling Slowly”) , num dos agradecimentos mais bacanas da história da festa, além do prêmio do público em Sundance. Sensível, mostra um músico de rua e uma jovem pianista, sem dinheiro nem piano, que se encontram por acaso e decidem gravar juntos.

Wall-E (Idem, 2008)
Stanley Kubrick e Charles Chaplin encontram-se em mais uma incrível animação produzida pela Pixar, o melhor filme do ano no gênero e favorito disparado para ganhar os principais prêmios da temporada. Orçado em US$ 120 milhões, tem roteiro bem sacado, direção de arte espetacular, ótima trilha sonora, utilizando muito mais a comunicação física do que propriamente o uso de diálogos, através de dois personagens “fofinhos”, e é um deleite para todos os sentidos e sentimentos, com bom humor, inteligência, sensibilidade e alguma dose de ironia, mirando principalmente – à lá 2001, de Kubrick – a forma como os humanos são dependentes da tecnologia e além disso, como a humanidade está destruindo o próprio planeta. Tudo sem soar caxias ou panfletário.

Um Beijo Roubado (My Blueberry Nights, 2007)
O chinês Wong Kar Way (Amor à Flor da Pele) fez de seu primeiro filme de língua inglesa um bonito road movie repleto de metáforas (bem ao seu estilo) em que a cantora Norah Jones (estreando como atriz) parte pelos EUA numa viagem buscando superar uma perda amorosa. Destaques para as presenças marcantes de Jude Law, David Strathairn, das maravilhosas Rachel Weisz e Natalie Portman, e para a bela trilha sonora de Ry Cooder.

Onde Os Fracos Não Têm Vez (No Country for Old Men, 2007)
O filme que consagrou de vez os irmãos Joan e Ethan Coen, que já haviam ganhado um Oscar (de Roteiro) por Fargo, e em 2008 saíram da cerimônia com três prêmios (Filme, Direção e Roteiro Adaptado – o longa também rendeu a Javier Barden o Oscar de Ator Coadjuvante). Além disso, foi o longa com maior bilheteria na carreira deles. Ao contrário de Fargo, cujo enredo era carregado de humor negro, aqui a história os cineastas apontam para um futuro sem esperança, onde a violência tende a aumentar. Destaque para a atuação desconcertante e assustadora de Javier Barden na pele de um assassino.

Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness, 2008)
Desde Cidade de Deus, Fernando Meirelles é o principal diretor brasileiro, tendo estabelecido um reconhecimento no exterior com o ótimo O Jardineiro Fiel. Assim como essas duas produções, Ensaio Sobre a Cegueira foi baseado em um livro. Ou melhor, “o livro”, escrito pelo português José Saramago e cultuado nos quatro cantos do globo. Escudado por excelentes atores (Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover, a brasileira Alice Braga, entre outros), e uma ótima equipe técnica, Fernando fez um filme fiel à obra literária, chocante, que levou Saramago às lágrimas, dividiu a crítica, e confirmou o talento do diretor para filmar com intensidade o caos urbano.

Agente 86 (Get Smart, 2008)
Os fãs receosos com esta versão cinematográfica do seriado protagonizado por Dom Adams entre 1965 e 1970 se acalmaram diante de uma história que atualizou a clássica trama sem perder sua essência divertida e acrescentou cenas de ação de dar inveja a Jason Bourne. Steve Carrel (da série The Office e de O Virgem de 40 Anos) e a sexy Anne Hathaway revelaram uma química surpreendente como os agentes 86 e 99, no filme que ainda conta com Allan Arkin e Terence Stamp no elenco.

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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