Planeta Terror

Planeta Terror (Planet Terror, EUA, 2007). Direção e roteiro Robert Rodriguez. Elenco: Freddy Rodríguez, Rose McGowan, Marley Shelton, Josh Brolin, Michael Biehn, Naveen Andrews, Bruce Willis. Terror. 97 min. (Cor).

Muita expectativa foi gerada em torno de “Grindhouse”, uma homenagem de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez às produções apelativas, de baixo orçamento e exibidas em sessões duplas nos anos 70. A expectativa era das melhores, pois ambos possuem obras cultuadas e já haviam trabalhado juntos, como no sensacional “Sin City”, de Rodriguez.

Além de dirigirem dois filmes para exibição conjunta, a dupla ainda chamou amigos cineastas (como Eli Roth, de “O Albergue”) para criarem trailers fakes, de produções inexistentes, que completavam a “experiência”. Só que a bilheteria de “Grindhouse” nos EUA foi decepcionante. Assim, o projeto chegou mutilado aos cinemas brasileiros  – e no resto do mundo –, sem os trailers falsos e dividido em dois filmes distintos.

O primeiro a aportar por aqui foi o filmete do texano Rodriguez – aquele burramente chamado de “mexicano medíocre” por Arnaldo Jabor – intitulado “Planeta Terror”, que combina jorros de sangue, miolos e tripas com personagens hilários, violência cartunesca, muita ação, mulheres peladas e rock’n’roll.

Especialista em tecnologia digital, o cineasta usou o que há de mais avançado para dar vida a um visual analógico, espelhado nos filmes B do passado, mas sem abrir mão de efeitos modernos e convincentes.

A heroína Cherry (a deliciosa Rose McGowan, da série “Charmed” e do insano “Doom – Geração Maldita”), por exemplo, é uma dançarina de cabaré que, após um acidente, ganha, no lugar da perna direita, uma metralhadora implantada. Esta idéia grotesca é apenas um dos muitos exageros da trama trash.

A história segue mais ou menos assim: após um embate violento entre um cientista colecionador de testículos humanos (Naveen Andrews, de “Lost”) e um militar machão (Bruce Willis, ele mesmo), um gás venenoso é liberado sobre uma cidadezinha do Texas. O produto transforma os moradores em zumbis canibais, que atacam os poucos humanos remanescentes. Os líderes da resistência são Cherry, seu ex-namorado motoqueiro (Freddy Rodriguez, de “Six Feet Under”) e um xerifão (Michael Biehn, o herói de “O Exterminador do Futuro” e “Aliens”).

O cineasta, que nunca teve a ambição de criar “arte séria”, mantém-se em seu estilo favorito, divertindo ao homenagear a cultura trash dos anos 70.

As Grind-houses

“Planeta Terror” e “À Prova de Morte” foram lançados inicialmente como um megafilme intitulado “Grindhouse”. A sessão dupla e o título da obra foram criados pelos diretores Quentin Tarantino e Robert Rodriguez com a idéia de homenagear uma experiência comum durante os anos 70 nos EUA – as grind-houses, salas de projeção onde a garotada costumava bater ponto para conferir sessões duplas e triplas de filmes B, onde os enredos caprichavam na violência, sexo explícito, artes marciais e conteúdos excluídos do cinema mainstream.

Com a deterioração dos antigos palácios de cinema, famosos entre os anos 30 e 40, houve uma tentativa desesperada pelos proprietários desses locais para atrair novas audiências. A idéia foi despejar filmes toscos, em sessões duplas e tripas a preços de bilhete único.

Por volta de 1980, o vídeo começou a ameaçar tornar as grind-houses ultrapassadas e na década passada o termo desapareceu da cultura americana de massas, passando a ser objeto de culto para um pequeno grupo de fanáticos, cinéfilos, artistas e curiosos, entre eles, Tarantino e Rodriguez.

André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

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