Apenas Uma Vez

Feito em apenas 17 dias por pessoas ligadas à banda irlandesa The Frames, o filme, um dos mais sensíveis da década, foi ganhando fama em festivais pelo mundo e levou o Oscar de Canção Original (pela bela “Falling Slowly”).
Por André Azenha, editor (02/02/2009) // Comente

onceApenas Uma Vez (Once, Irlanda, 2006). Direção e roteiro: John Carney. Atores: Glen Hansard, Markéta Irglová. Drama/Musical. 85 min. (Cor).

A recente sensação do cinema internacional foi esse filme independente feito em apenas 17 dias por pessoas ligadas à banda irlandesa The Frames – o ex-baixista do grupo, John Carney, escreveu e dirigiu, e o líder e vocalista Glen Hansard protagoniza -, que foi ganhando fama em festivais pelo mundo e levou o Oscar de Canção Original (pela bela “Falling Slowly”), num dos agradecimentos mais bacanas da história da festa. O longa ainda levou prêmios do público em Sundance e em Dublin, da crítica em Chicago e o Independent Spirit Awards de Melhor Filme, entre outros.

Sensível, mostra um músico de rua e uma jovem pianista, sem dinheiro nem piano, que se encontram por acaso e decidem gravar juntos. Curiosamente, apesar da forma real como cada cena foi rodada, tanto Glen, quanto a tcheca Markéta Irglová (intérprete da “garota”) não são atores profissionais. Ambos são músicos e cantores, que, assim como diz o diretor Carney no making of da produção, também atuam. “Melhor do que se tivéssemos usados atores que soubessem cantar”, diz ele. Afinal, cada música (e são todas lindas, inspiradoras) é fundamental para o desenvolvimento da trama, se encaixando naturalmente no roteiro, fazendo de Once o musical do século XXI.

Trata-se de uma história de ajuda mútua, sobre duas pessoas de personalidades opostas que se completam e transformam a vida um do outro, sem necessariamente se envolverem sexualmente.

Em sua simplicidade, Apenas Uma Vez faz com que o público se identifique com fatos que poderiam acontecer com qualquer um de nós.

Com certeza é uma das obras cinematográficas mais sensíveis e cativantes da década, ao lado de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças e Antes do Pôr-do-Sol.

O DVD para locação no Brasil tem extras bacanas: dois ótimos making ofs, galeria de fotos e o trailer do filme. A imagem está no formato widescreem anamórfico e há áudio e legendas em inglês e português.

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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