Propriedade Privada

Drama do belga Joachim Lafosse é dura crítica à estagnação da elite européia e à falta de perspectiva da juventude do Velho Continente, como também uma metáfora para o sentimento de posse.
Por André Azenha, editor (02/02/2009) // Comente

propriedadePropriedade Privada (Nue Propriété, Luxemburgo / Bélgica / França, 2006) Direção: Joachim Lafosse. Roteiro: Joachim Lafosse e François Pirot. Elenco: Isabelle Huppert, Jérémie Renier, Yannick Renier, Kris Cuppens, Patrick Descamps. Drama. 105 min. (Cor).

“Propriedade Privada” drama do diretor belga Joachim Lafosse, retrata o processo complicado quando os filhos finalmente devem sair do abrigo dos pais para seguirem seus próprios caminhos.

Thierry e François (interpretados pelos irmãos de verdade Jérémie Renier e Yannick Renier) não são mais crianças, muito pelo contrário. Mas o fato de morarem longe do pai em um casarão restaurado no campo talvez os impeça de sair debaixo da asa da mãe, Pascale (Isabelle Huppert, de “A Professora de Piano”). O pai envia dinheiro, a mãe vai até a cidade quando precisam de algo. Uma vida cômoda para os dois, que fazem praticamente tudo juntos: dividem a banheira, a cama e até as brincadeiras libidinosas com a mãe, enquanto essa se arruma para sair.

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Pascale sente que já pode deixar os filhos andarem com as próprias pernas. Ao lado do namorado, ela pretende abrir uma pousada nos Alpes e então declara que planeja vender a casa. E é só o anúncio da vontade de vender a residência ser feito que a sintonia praticamente inabalável de Thierry e François se despedaça: o primeiro se mostra intransigente como o pai, enquanto o outro fica ao lado da mãe.

Apesar de não soar palatável numa primeira conferida, “Propriedade Privada”, que fez parte da seleção oficial do Festival de Veneza, revela-se como uma dura crítica à estagnação da elite européia e à falta de perspectiva da juventude do Velho Continente, como também uma metáfora para o sentimento de posse do ser humano: seja material ou sentimental.

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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