Help!

Famoso filme dos Fab Four inspirou a série dos Monkees, parodiou James Bond e ajudou a flagrar as mudanças que aconteciam no grupo. O sucesso foi estrondoso.
Por André Azenha, editor (01/02/2009) // Comente

helpHelp! (Idem, Inglaterra, 1965). Direção: Richard Lester. Roteiro: Marc Behm, Charles Wood. Elenco: John Lennon, Paul McArtney, George Harrison, Ringo Star. Musical / Comédia / Fantasia / Suspense. 90 min. (Cor).

Inédito em vídeo no Brasil, foi lançado ano passado este DVD onde os fãs puderam levar para casa as gritarias, correrias e franjinhas coloridas dos Beatles. “Help!”, primeiro filme a cores dos Fab Four, foi rodado no rastro do estrondoso sucesso de “Os Reis do Ie-Ie-Ie” (A Hard Day`s Night, 1964).

Filmado em seis semanas de 1965 e dirigido novamente por Richard Lester, “Help!” tomou o rumo de paródia roqueira de James Bond e custou o dobro do longa anterior, por ser colorido e ter locações “exóticas” (Bahamas e os alpes). Na trama, os Beatles são perseguido por um culto, graças a um anel de Ringo. A historinha de ação ainda inspirou o “clima” da série de TV dos Monkees. Anos depois, os Beatles admitiram que filmaram chapados. Foi o começo do fim dos terninhos e a chegada de novos tempos. E essa transição acabou registrada nas imagens.

“Help!” vendeu horrores de sua trilha, verdadeira coleção de hits, que reforça as transformações na mentalidade do grupo. A faixa-título apontava para o desgaste da pressão da Beatlemania, que em pouco tempo levaria a banda a abandonar as turnês. Mas talvez mais significativa tenha sido “You’ve Got to Hide Your Love Away”, em que Lennon, inspirado em Bob Dylan, coloca suas próprias emoções na música e pondera a situação amorosa de seu empresário homossexual Brian Epstein – houve quem apontasse um caso entre os dois.

A trilha também trouxe a canção mais regravada de todos os tempos, “Yesterday”, composta por Paul McCartney. George Harrison ainda aproveitou para homenagear sua então namorada Pattie Boyd com “I Need You”. “Act Naturally” e “Dizzy Miss Lizzy” foram os últimos covers a entrar num álbum do quarteto e “Ticket to Ride” foi considerada por John uma das primeiras canções do heavy metal, devido a batida forte e ao solo de guitarra.

Após a estréia do filme, a banda fez o primeiro show da história num estádio (o Shea Stadium em Nova York), que bateu todos os recordes de público de eventos musicais da época. A trilha ficou 11 semanas em primeiro lugar.

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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