Dez filmes bacanas de 2007

Um top 10 de filmes bacanas lançados no Brasil em 2007.
Por André Azenha, editor (01/02/2009) // Comente

despertartres

Dois mil e sete foi um bom ano culturalmente falando. Escutei bem menos discos que gostaria, mas pude assistir muito mais filmes que em 2006. E muitos longas legais chegaram aos cinemas brasileiros. Essa não é uma lista de “dez melhores”, apenas uma dezena de obras bacanas que merecem ser lembradas e agradaram esses lados de alguma forma. Abaixo, dez comentários curtos sobre os filmes.

Esse top 10 tem de tudo um pouco, mantendo a diversificação da sétima arte. Drama de época, ação, história verídica, desenho animado, comédia romântica, thriller policial e até um monstro pelo caminho. São filmes lançados no Brasil em 2007, então não estranhe a data oficial de alguns, do ano anterior.

O Despertar de Uma Paixão (The Painted Veil, 2006)
Cinema com C maiúsculo, com roteiro sensacional, trama profunda sobre redenção, redescoberta e relações humanas, maravilhosa ambientação de época, excelentes figurinos, linda trilha sonora e uma dupla protagonista em perfeita sintonia e grandes atuações. Edward Norton e Naomi Watts (que também produziram o longa) brilham nessa obra esplêndida, injustamente esquecida no Oscar, que se passa numa China do início do século passado. O verdadeiro “Amor em Tempos de Cólera” está aqui. Sensível, impossível não se emocionar e ficar vidrado a cada cena.

Tropa de Elite (Idem, 2007)
Teve quem disse que “Tropa de Elite” não conseguiria sucesso de bilheteria graças à pirataria, que fez milhões de pessoas terem a chance de assistir ao longa bem antes de sua estréia oficial. Mas o ótimo roteiro de Braulio Mantovani (em parceria com o ex-capitão do Bope, Rodrigo Pimentel, e o próprio diretor da obra), a sensacional direção de José Padilha e o elenco espetacular, destacando Wagner Moura com o tão comemorado Capitão Nascimento, fazem desse, o longa brasileiro mais importante da década ao lado de “Cidade de Deus”. O mérito foi detonar “instituições” intocáveis do cotidiano carioca  (e nacional também), como os boyzinhos que financiam o tráfico (e fazem protesto contra o próprio), a polícia corrupta (ainda que force a barra a inocentar completamente o Bope), e o governo falível. Ninguém é inocente. E a hipocrisia é escancarada.

Um Lugar na Platéia (Fauteils d’Orchestre, 2006)
Divertida comédia francesa que mostra os bastidores do mundinho cultural-chique de Paris e faz críticas espertas à platéia abastada parisiense. Destaque para a linda fotografia de Jean-Marc Fabre (graças também ao próprio cenário – lindo – da capital da França) e o bom elenco liderado pela fofa Cécile de France (“Bonecas Russas”) como a interiorana que tenta um lugar ao sol na tão baladada região dos Champs-Élysées.

O Hospedeiro (Gwoemul, 2006)
E a criatividade continua do outro lado do oceano! O espetacular diretor coreano Bong Joon-ho (do mais espetacular ainda “Memórias de um Assassino”) deu vida nova aos “filmes de monstro” com essa produção que utilizou os efeitos especiais da mesma empresa responsável por “O Senhor dos Anéis”, mas cujo orçamento foi pequeno se comparado aos filmes hollywoodianos. Misturando drama familiar, comédia e um forte subtexto político, alcançou prêmios em vários festivais pelo mundo e conseguiu um lugar no disputado circuito norte-americano.

Os Donos da Noite (We Own the Night, 2007)
Competente mix de épico mafioso e thriller policial, com elenco “classe A”, cenas de ação de tirar o fôlego e pelo menos três sequências magníficas para ficar na memória de todo bom cinéfilo.

Ratatouille (Idem, 2007)
Esse é o filme que pela primeira vez em muito tempo fez a Disney dividir as atenções dadas ao Mickey com outro ratinho. A história, fofa, é divertida, envolvente e tecnicamente bem realizada. Perfeita tanto para a criançada como para os marmanjos à procura de diversão ingênua e mensagens positivas.

Rocky Balboa (Idem, 2006)
Muita gente torceu o nariz para essa produção. Mas Stallone, que já vinha em derrocada profissional, utilizou sua experiência pessoal para transportá-la ao seu célebre personagem e trouxe o espírito rústico do clássico de 76 para a nova história, dando um final digno à série do garanhão italiano e um novo fôlego para sua carreira (que rendeu um outro “Rambo”). Nesse, saem o enredo de vídeo-clipe, as pseudo-mensagens políticas e os adversários malvados e surge um bonito tratado sobre a chegada da velhice. A trilha clássica e o treinamento continuaram presentes para a alegria dos fãs.

Letra e Música (Music and Lyrics, 2007)
Finalmente resolveram juntar numa mesma comédia romântica o galã Hugh Grant e Drew Barrymore (detentora do sorriso mais fofo do mundo cinematográfico), dois especialistas no gênero e que comprovam sua competência numa divertida trama que tem tudo para agradar fãs dos anos 80 e ainda tira uma onda dos revivals da vida e estrelas teens à la Britney Spears. A trilha sonora, excelente, é de Adam Schlesinger (da banda Fontains of Wayne), autor do sucesso “That Thing You Do” do filme “The Wonders – O Sonho Não Acabou”.

O Vigarista do Ano (The Hoax, 2007)
Só o fato de Richard Gere ter uma boa atuação já chama a atenção. A verdade é que seu estilo canastrão caiu como uma luva no papel do cara que conseguiu ludibriar uma das principais editoras norte-americanas, alegando ter sido autorizado para escrever a biografia do recluso bilionário Howard Hughes (aquele interpretado por Di Caprio em “O Aviador”). A recriação do período e o ótimo desempenho do elenco coadjuvante colaboraram para a realização de um ótimo longa-metragem.

Não Por Acaso (Idem, 2007)
O filme mais “cult” da lista é na verdade um impressionante tratado sobre o acaso feito pelo cineasta estreante Philippe Barcinski, premiado no Festival de Chicago na categoria Diretor Revelação. Barcinski se utiliza de simbolismos e do cenário paulistano para contar uma bonita fábula sobre dois sujeitos que tentam encarar novas perspectivas de vida e superar perdas.

Leia também: Dez filmes que se destacaram em 2008

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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