Piratas do Caribe – No Fim do Mundo

Piratas do Caribe – No Fim do Mundo ((Pirates of the Caribbean: At World’s End, EUA, 2007). Direção: Gore Verbinski. Roteiro: Ted Elliott e Terry Rossio, baseado nos personagens criados por Stuart Beattie, Ted Elliott, Terry Rossio e Jay Wolpert. Elenco: Johnny Depp, Orlando Bloom, Keira Knigthley, Geoffrey Rush, Jonathan Pryce, Bill Nighy, Stellan Skarsgard, Chow Yun-Fat, Naomie Harris. Aventura / Fantasia. 168 min. (Cor).

“Piratas do Caribe – No fim do Mundo” encerrou, ao menos por enquanto, o arco de histórias da série bucaneira. Johnny Depp ressurgiu na pele do pirata excêntrico, e mais uma vez tirou mulheres do sério, chegando a levar algumas bordoadas, se meteu em enrascadas, lutas, e cativou corações e mentes. O ator provou seu talento e, atualmente, depois de viver Sparrow pela terceira vez nas telonas, é o segundo astro mais poderoso de Hollywood. Will Smith leva a coroa.

Adicionando personagens, entre eles um novo inimigo, transformando um antigo vilão em parceiro dos bonzinhos e contando com uma ponta hilária de um roqueiro de violão em punho, “No Fim do Mundo” foi produzida por Jerry Bruckheimer e dirigida por Gore Verbinski (a mesma dobradinha à frente de “Piratas” 1 e 2), a mais cara e divertida da franquia, e repete as manjadas batalhas de espadas, explosões de canhões, e soma uma longa viagem a Cingapura – ainda que o roteiro tenha deixado a desejar no primeiro ato da trama, principalmente.

Para se ter uma idéia das expectativas para o desempenho dessa segunda continuação perante o público, a Disney, até pouco mais de um mês antes do lançamento, ainda trabalhava na pós-produção, cujo custo passou dos U$ 300 milhões. Cem milhões de dólares a mais que “Piratas do Caribe – O Baú da Morte” (2006), um dos quatro filmes mais vistos na história (sem somar os lucros com DVDs). O campeão de arrecadação é “Titanic” (1997), com US$ 1,8 bilhão e os outros dois desse quarteto especial são “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei” e “Batman – O Cavaleiro das Trevas”.

Na trama do terceiro longa da série, Tom Hollander vive outra vez o lorde Cutler Beckett, da Companhia das Índias Orientais, agora no controle do apavorante barco fantasma Holandês Voador. Sem piedade, segue vagando pelos sete mares matando piratas, sob o comando do almirante Norrington (Jack Davenport).

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Will Turner (Orlando Bloom), Elizabeth Swann (Keira Knightley, de “Desejo e Reparação”) e o ex-inimigo capitão Barbossa (Geoffrey Rush) precisam reunir os Nove Lordes da Corte da Irmandade para tentar derrotar Beckett. Para cumprir a tarefa, contam com a presença de todos os lordes. Mas um deles está desaparecido: o capitão Jack Sparrow, preso ao baú de Davy Jones (Bill Nighy). Assim, os heróis rumam para a perigosa e exótica Cingapura. É quando se deparam com o pirata chinês Sao Feng.

Além do trio principal formado por Jack, Turner e Elizabeth, outros personagens voltaram a dar as caras. Se no debut da trilogia Geoffrey Rush era o inimigo dos heróis vivendo Capitão Barbossa, que parecia ter “morrido”, em “Piratas 2” , ele não só “ressuscitou” numa pequena e surpreendente aparição do pirata malvado, como agora se torna peça fundamental na busca para salvar Jack.

Outra que ressurge após chamar a atenção e roubar a cena como Tia Dalma (que reviveu Barbossa na trama anterior), é a atriz Naomi Harris, a namorada de Jamie Foxx em “Miami Vice” (2006). A bela atriz com então 30 anos conseguiu provocar enjôos como a bruxinha sebosa e de cabelo desgrenhado.

E teve gente nova. Quem interpreta o pirata oriental é Chow Yun-Fat, (“O Tigre e o Dragão”), nascido em Hong Kong, astro de filmes de ação no país natal, que não atuava numa produção inglesa desde “O Monge à Prova de Balas” (2003).

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Também se juntou à turma. numa ponta interpretando o pai de Sparrow. o guitarrista Keith Richards, dos Rolling Stones. A pequena participação deixou de acontecer antes devido à agenda do quarteto de rock inglês.

Apesar de curta, a presença do velho roqueiro, um antigo desejo de Depp, causou alvoroço nos sets da Califórnia, quando gravou sua cena embriagado. “Se você queria alguém sóbrio, então você chamou o cara errado”, esbravejou ao diretor Gore Verbinsky. A Disney acabou vetando a participação de Richards na divulgação da obra, mas a presença dele é extremamente divertida e chocante, mostrando sua pele mal tratada, que casou perfeitamente com o personagem de um pirata velho e beberrão.

No mais, o personagem de Orlando Bloom assumiu sua herança pirata e teve um desfecho quase shakespereano. Mas ao todo o filme soa irregular, com passagens que não empolgam ou fazem rir (como aquele em que Depp contracena com vários dele próprio, apenas para mostrar suas diferentes caras e bocas) e há tantas reviravoltas que o público pode se confundir.

Apesar dos deslizes, há uma cena fantástica com dois navios em um redemoinho e o filme manteve a aura mágica da franquia milionária, com efeitos visuais de cair o queixo. Pode divertir quem não exigir muito da história.

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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