Juventude Rebelde

Juventude Rebelde (Kidulthood, Inglaterra, 2006). Direção: Menhaj Huda. Roteiro: Noel Clarke. Elenco: Aml Ameen, Red Madrell, Noel Clarke, Adam Deacon. Drama. 91 min. (Cor).

“Juventude Rebelde” escancara a subcultura do gueto negro numa Inglaterra que não costuma ser vista no cinema. O drama mostra Trife (Aml Ameen, estreando no cinema), garoto de 15 anos que precisa encarar questões típicas da adolescência como a pressão da sociedade, a relação com os amigos e o interesse pela garota de seus sonhos. Fora da escola, ainda há o risco da convivência com seu perigoso tio gangster. E o filme mostra as 48 horas mais importantes de sua vida, em que ele precisa escolher entre o caminho correto ou o que pode levá-lo a uma vida de crimes e drogas.

Após uma colega de escola cometer suicídio, ele se vê perdido. Com a tragédia , as aulas são canceladas. Trife e seus amigos Mooney (Femi Oyeniran) e Jay (Adam Deacon) acabam ganhando o dia de folga e percebem que os fatores responsáveis pelo suicídio da garota estão mais perto do que imaginavam e podem atingir suas vidas a qualquer instante.

Inédito nos cinemas nacionais, o longa é uma porrada para quem está acostumado com a Inglaterra limpinha das comédias românticas. Aqui não. Sexo fácil, bebidas e drogas estão bem perto.

Primeiro filme com trilha de grime, o estilo “gangsta inglês “(mistura de drum & bass com speed garage e rap), tem trilha da DJ The Angel (que antes compôs para o penúltimo filme de Tupac, “Grindlock’d”) e proporciona sonzeiras de Dizze Rascal, Lethal Bizzie, The Streets, Arkane, Klashnekoff, Skinnyman, Roots Manuva e outros artistas da pesada – um verdadeiro “quem é quem” do grime e do hip-hop britânico – mantendo sempre o ritmo nervoso.

Dirigida de forma realista pela veterana da TV Menhaj Huda, a obra foi escrita pelo ator Noel Clarke,que interpreta o invocado Sam, vilão da história. Clarke,curiosamente, ficou conhecido por viver o namorado bonzinho da assistente do “Doctor Who” nas duas primeiras temporadas da versão atual da série inglesa.

Não se trata da “resposta britânica” à “Cidade de Deus”, como está escrito na capinha do DVD. O filme brasileiro é muito melhor. Mas ainda assim vale experimentar esta produção para perceber que até na terra da Rainha há periferia, tráfico e drogas e juventudes perdidas.

O longa ganhou o prêmio Douglas Hickox Award no British Independent Spirit Awards.

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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