Juventude Rebelde

Drama juvenil escancara uma Inglaterra que não estamos acostumados a ver no cinema.
Por André Azenha, editor (13/01/2009) // Comente

Juventude Rebelde (Kidulthood, Inglaterra, 2006). Direção: Menhaj Huda. Roteiro: Noel Clarke. Elenco: Aml Ameen, Red Madrell, Noel Clarke, Adam Deacon. Drama. 91 min. (Cor).

“Juventude Rebelde” escancara a subcultura do gueto negro numa Inglaterra que não costuma ser vista no cinema. O drama mostra Trife (Aml Ameen, estreando no cinema), garoto de 15 anos que precisa encarar questões típicas da adolescência como a pressão da sociedade, a relação com os amigos e o interesse pela garota de seus sonhos. Fora da escola, ainda há o risco da convivência com seu perigoso tio gangster. E o filme mostra as 48 horas mais importantes de sua vida, em que ele precisa escolher entre o caminho correto ou o que pode levá-lo a uma vida de crimes e drogas.

Após uma colega de escola cometer suicídio, ele se vê perdido. Com a tragédia , as aulas são canceladas. Trife e seus amigos Mooney (Femi Oyeniran) e Jay (Adam Deacon) acabam ganhando o dia de folga e percebem que os fatores responsáveis pelo suicídio da garota estão mais perto do que imaginavam e podem atingir suas vidas a qualquer instante.

Inédito nos cinemas nacionais, o longa é uma porrada para quem está acostumado com a Inglaterra limpinha das comédias românticas. Aqui não. Sexo fácil, bebidas e drogas estão bem perto.

Primeiro filme com trilha de grime, o estilo “gangsta inglês “(mistura de drum & bass com speed garage e rap), tem trilha da DJ The Angel (que antes compôs para o penúltimo filme de Tupac, “Grindlock’d”) e proporciona sonzeiras de Dizze Rascal, Lethal Bizzie, The Streets, Arkane, Klashnekoff, Skinnyman, Roots Manuva e outros artistas da pesada – um verdadeiro “quem é quem” do grime e do hip-hop britânico – mantendo sempre o ritmo nervoso.

Dirigida de forma realista pela veterana da TV Menhaj Huda, a obra foi escrita pelo ator Noel Clarke,que interpreta o invocado Sam, vilão da história. Clarke,curiosamente, ficou conhecido por viver o namorado bonzinho da assistente do “Doctor Who” nas duas primeiras temporadas da versão atual da série inglesa.

Não se trata da “resposta britânica” à “Cidade de Deus”, como está escrito na capinha do DVD. O filme brasileiro é muito melhor. Mas ainda assim vale experimentar esta produção para perceber que até na terra da Rainha há periferia, tráfico e drogas e juventudes perdidas.

O longa ganhou o prêmio Douglas Hickox Award no British Independent Spirit Awards.

Conteúdo relacionado:

André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


Cheetah Girls 2Casamento em Dose Dupla

Escreva seu comentário

Campos obrigatórios