A Profecia

A Profecia (The Omen, EUA, 2006). Direção: John Moore. Roteiro: David Seltzer. Elenco: Liev Schreiber, Julia Stiles, Mia Farrow, Seamus Davey-Fitzpatrick, Pete Postlethwaite, David Thewlis, Michael Gambon. Terror. 110 min. (Cor).

Hollywood é oito ou oitenta. Quando acerta, acerta em cheio. Mas quando derrapa. Meu Deus. Alguns produtores são muito “sem noção”. Não só pelo fato de escancarar (já faz um bom tempo) a ambição de arrecadar milhões e milhões de dólares a qualquer custo, como também por usurpar obras respeitadas e consagradas com refilmagens inferiores, que ultrapassam o limite da mediocridade. No caso, filmes de suspense e terror se tornaram a bola da vez uns anos atrás. Tudo bem, de vez em quando aparece algum “Jogos Mortais” (só o primeiro, ignore as continuações) da vida para equilibrar as coisas. Vez ou outra surge um remake de cinema oriental que bate a sua bola como “O Chamado”, mas que é muito pouco para cada “O Grito” que aparece. Quando pinta um bom longa como “Água Negra”, do brasileiro Walter Salles, ele é incompreendido devido ao costume do público com os sustos fáceis. Em 2003, Marcus Nispel levou às telas uma versão atualizada bizarra do clássico “O Massacre da Serra Elétrica” (depois ele acertaria, em 2009, com “Sexta-feira 13”). E porque tudo isso? E “A Profecia” foi mais um caça níqueis dos bons (ou dos piores se você preferir).

A história é a mesma do clássico de 1976. Mulher perde o filho no parto e o marido apaixonado decide trocar o cadáver por uma criança viva, sem que a esposa saiba. Só que esse novo bebê é nada mais nada menos que o anti-Cristo em pessoa, pronto para cumprir a tal profecia sobre o fim do mundo. Daí em diante acontecimentos estranhos ocorrem, pessoas batem as botas e o tal pai, político diplomata em ascensão (e que servirá de escalada para o capetinha), terá que matar a criança para salvar o planeta.

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Até aí, tudo bem. Só que os problemas da trama começam a aparecer no elenco. Não adianta uma criança fazer cara de poucos amigos para interpretar o Satanás, e Seamus Davey-Fitzpatrick (que faz Damien), parece mais um menino mimado que teve um pedido negado do que o Belzebú. Já Liev Schreiber (no papel de Robert Thorn), não convence com suas caras e bocas, que por instantes lembram mais um psicopata do que um pai mergulhado na dúvida de matar ou não seu filho de criação. E ainda foram buscar Mia Farrow (a própria, de “O Bebê de Rosemary”), como espécie de homenagem, mas Deus do céu (!), ela está mais para uma bruxa com cabelo de boneca velha do que para comparsa do menininho endiabrado. Os únicos que parecem se salvar nesse mar de equívocos são Julia Stiles, que segura a onda como mãe perturbada, e Pete Postlethwaite, como o padre Brennan, que desesperado, tenta alertar Thorn do perigo. Dois talentos desperdiçados.

John Moore até consegue provocar uns três sustinhos, porém não faz mais do que a obrigação devido à ambição do projeto. E o pior, quando em um filme que se proclama terror faz com que as pessoas comecem a dar risadas durante a trama, é porque algo está muito errado. O marketing pesado que fez a película ser lançada no dia 06 do 06 de 2006 (alusão ao número da “besta”, 666), levou algum público a conferir essa idiotice, mas nada que tenha durado muito tempo. Fracasso total.

Estreia nos cinemas brasileiros: 06/06/2006.

Disponível em DVD.

André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

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